O projeto

O projeto Ensaio Fotográfico Político: “sobras”, propõe imagens de alto impacto, combinando o corpo gordo nu feminino e o lixo, ambos invisibilizados, despercebidos em nossa sociedade, para levantar uma reflexão/debate sobre o porquê queremos esconder nossas sobras socialmente. O que não agrada os padrões de beleza é colocado às margens. O que não queremos mais, apenas descartamos. E qual o impacto disso na vida dos moradores, das mulheres, do planeta? Dor e destruição ao corpo feminino – o da mulher, e o da natureza. O projeto busca dar visibilidade a grande quantidade de lixo gerado nos dias de maior movimento em Chapada dos Guimarães, e quão poluídos ficam os pontos turísticos. E para ilustrar esse impacto trazemos o corpo gordo nu compondo o elemento de força e resistência, ao mesmo tempo delicada e imaculada (através da coroa). Tanto o lixo como o corpo gordo são elementos invisibilizados, pois representam o feio, o sujo e o podre.

Aliamos no projeto causas importantes: a ambiental, a feminista e antigordofobia, trazendo esse olhar enquanto moradoras da cidade, que convivem diretamente com o impacto do turismo como um todo, e trazendo o objeto de estudos e militância da fotógrafa e da modelo. A exposição fotográfica trará o impacto que é combinar numa composição, montanhas de lixo e o corpo gordo. Este que é invisibilizado e estigmatizado compondo com o lixo que tentamos tornar “invisível”, provocando nos olhares atentos do público uma reflexão do porque o que nos sobras queremos esconder? E quais as consequências dessa sações? Quem sai mais prejudicado? Porque não estamos preparados para fazer um turismo sustentável?. O ensaio vai mostrar que precisamos ver o que nos tentam esconder, pra tomar consciência do impacto que causamos, no planeta e para as outras pessoas que estão à margem.

Coletivo Lute como uma Gorda

Somos o Coletivo Lute como uma Gorda formado principalmente por Malu Jimenez e Ju Queiroz. Juntas produzimos fotografia de resistência, colocando o corpo gordo e a discussão sobre a gordofobia no foco de nossas produções artísticas. Junto as corpas gordas, trazemos ao foco denúncias ambientas, sociais e políticas que nos transpassam na vivencia de duas mulheres que querem mudar o mundo.

O coletivo parte dos estudos transdisciplinares das corporalidades gordas no Brasil com a tese de doutorado "Lute como uma Gorda: gordofobia, resistências e ativismos", junto aos estudos da fotografia de corpos dissidentes desenvolvido por Ju Queiroz.

Desde 2019, viemos desenvolvendo a ideia de trabalhar com ensaios fotográficos políticos que trouxesse uma proposta de resistência. A ideia é trazer a fotografia como uma ferramenta, instrumento na luta antigordofobia, de representatividade e de posicionamento político: o corpo gordo é revolução! O corpo gordo é político!

A fotografia de resistência, ou como resistência é a arte de fotografar corpos esquecidos, hostilizados e excluídos socialmente. Corpos que nunca aparecem na mídia e ensaios “convencionais”, é uma proposta de subverter a lógica do que se considera “belo”, “normal”, "positivo", "saudável" na concepção atual.

A arte da fotografia como resistência se propõe a trazer um discurso alternativo ao poder, a esse capitalismo fascista, neoliberal que vivenciamos no mundo todo, a concepção que só um tipo de corpo é enaltecido: o branco, hetero, macho normativo. Nosso trabalho rompe com esse discurso hegemônico, trazendo meu corpo gordo como central na composição da fotografia, uma corpa GORDA como máquina de guerra em ato de sobrevivência, (re)existência ao discurso unificado e moralista, propondo novas ideias, saberes e olhares sobre corporeidades femininas hoje.

É uma CORPA MANIFESTA que propõe pela imagem, brechas de fugas ao que se tem como ideal e institucionalizado, é romper com a ideia de que estamos morrendo, pelo contrário, estamos subvertendo a lógica ilógica que nos mata a cada dia. Nosso trabalho transpassa por essa proposta de fazer fotografia como resistência à heteronormatividade que sustenta políticas fascistas e neoliberais do hoje.

O que fazemos é artivismo, nosso trabalho é político e por isso causa tanto ódio, raiva e temor.

Equipe Técnica

Produção e Fotografia: Ju Queiroz

Performer: Malu Jimenez

Coroa: Julia Mux

Making of: Anne Mathilde

Assistente de produção: Salomon Morales

Design Gráfico: Carolina Argenta

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Ju Queiroz Fotografia