Mulheres Chapada dos Guimarães - MT

Abdany Profeta

Se eu contar o que aconteceu nesse ensaio, ninguém acredita!


Um ano antes desse dia, eu estava nessa cachoeira com uma amiga negra e de tranças loiras, e eu falei: cara, quero mto fotografar uma mulher negra e de tranças nessa cachoeira, pq as cores são incríveis e acho que combina!

Pois bem, peças e receberás! hahaha

Um ano depois me aparece essa deusa, uma mulher de uma história forte e que traz consigo toda a potência das suas ancestrais.

E era isso que ela queria trazer pro ensaio... a força da mulher negra!


Eu que não sou das mais corajosas e desbravadoras, quis me arriscar a descer num lugar que eu nunca tinha ido.

Eu estava eufórica, mal conseguia ver as coisas ao meu redor.

Me apoiei numa árvore, Abdany atrás de mim, e não é que qdo fui descer eu levei o maior tombo da minha vida?! Mas não foi qualquer tombo, foi na beira do precipício! Eu cai no único lugar possível de não morrer!

E tudo isso no começo do ensaio... tinha feito umas 5 fotos dela!

Como boa virginiana racional que sou, já levantei, chequei se não tinha quebrado nenhum osso, equipamento intacto, e a coitada da cliente pálida, com os olhos arregalados, assustadíssima com a queda. Comecei a procurar um lugar pra conseguir subir mas meu corpo não respondia. Eu só tremia e pensava: não pode ser, isso não pode tá acontecendo!

Achei umas raízes, enrosquei os pés e consegui subir. Meio capenga, com o corpo todo doendo, as pernas tremendo e uma dor absurda no cotovelo esquerdo.

Se num ensaio comum eu faço cerca de 500 fotos, nesse eu fiz nem 200.

Tinha tanta dor no meu corpo que eu nem sei como consegui.

Eu acho que as vezes eu entro num estado de transe, sei lá!


Deu tudo certo!

E quando a vi, no por do sol, com a lua e os paredões no fundo eu tive uma visão! #cuidadocomabruxa

Vi uma grande rainha africana, adornada com muito ouro, grande, imensa...

Era essa a força que ela trazia!

A força e potência da sua ancestralidade quilombola, marcada por muita dor, luta e resistência. E também com grande beleza e grandeza!


Conseguimos!

Mas não acabou a história!

Passado o ensaio, corpo todo fodido, no meio da noite acordo com uma espécie de estresse pós traumático. Um choro compulsivo e a imagem da minha queda em looping na minha cabeça.

Acho que fiquei umas 4-5h nesse estado, sozinha com a Flora em casa, sem conseguir pegar o celular e pedir ajuda pra alguém.

Quando consegui me estabilizar um pouquinho mandei mensagem pras minhas terapeutas da época. E foi tudo que era bruxaria pra me trazer de volta!

Depois disso, além de começar a cuidar mais do meu emocional passei a ter mais cuidado e ainda mais respeito pelos lugares sagrados que aqui piso.

Reforço minha proteção energética e espiritual, mantenho minha atenção e mente muito mais focadas no momento presente, e uma pitadinha de euforia pq se não num sou eu! haha


Foi um dos ensaios mais importantes que já fiz, não só pela minha quase morte, mas por tudo que ele representa!

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